A eventual candidatura do vice-prefeito de Feira de Santana, Pablo Roberto (PSDB), para a disputa eleitoral de 2026, gerou surpresa entre aliados da cúpula tucana estadual. Isso porque, algumas das lideranças da sigla demonstram desconforto com a possível saída de Pablo do cargo de vice e de secretário da Educação de Feira para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Conforme informações obtidas pela reportagem com quadros do partido, alguns caciques do grupo ainda não teriam embarcado na decisão de Pablo em sair da gestão feirense. De acordo com apuração do BN com interlocutores, membros do PSDB teriam avaliado como “precoce” a possível nova renúncia de Roberto do cargo, tendo em vista que tomou posse no último mês de janeiro, pouco após renunciar à cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).
A saída dele foi marcada ainda por diferentes acontecimentos. Na época, mesmo eleito vice em 2024 na chapa de José Ronaldo (União), o até então deputado estadual ficou em dúvida se deixaria a AL-BA para assumir a vice-prefeitura.
Na ocasião, ele chegou a indicar a possibilidade de fazer uma pesquisa para decidir qual seria seu destino. Na novela que se arrastou por alguns meses na política baiana, Pablo Roberto, em tom de mistério, tentou uma articulação nos bastidores para viabilizar uma licença que permitiria que ele se tornasse secretário na gestão de Zé Ronaldo.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) da Bahia, que amplia a licença para deputados estaduais assumirem secretarias em cidades com mais de 500 mil habitantes, seria alternativa discutida para abrir espaço para o pleito de Pablo Roberto. Entretanto, ele não conseguiu êxito nas trativas.
O enredo, que se arrastou no final de 2024, teria sido também um dos argumentos utilizados pela cúpula para não enxergarem com bons olhos o desejo do vice-prefeito em deixar o cargo. Uma liderança apontou ao BN, que não seria válido Pablo Roberto deixar o cargo depois de todo esforço feito nesta época.
A sinalização de uma candidatura para o Congresso e recentes endossos feitos por ele mesmo teriam ainda ”bagunçado” as contas e organização do PSDB, especialmente nos debates acerca dos nomes que vão disputar vagas de deputado federal.
Atualmente, os tucanos contam somente com uma representação na Câmara dos Deputados, com o mandato de Adolfo Viana. O baiano ocupa ainda a vaga de líder do PSDB na Câmara.

