
A administração do prefeito Jean Pereira de Assunção em Ibirapitanga abriu o ano de 2026 sob o signo da compensação financeira, revelando uma dependência crítica do remanejamento de verbas para honrar compromissos atrasados.
O Decreto Financeiro nº 001/2026, assinado em 08 de janeiro, detalha uma série de manobras contábeis que retiram recursos originalmente destinados à manutenção de serviços essenciais para priorizar o pagamento de Despesas de Exercícios Anteriores (DEA).



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Essa estratégia de gestão expõe um descompasso entre o planejamento orçamentário e a realidade fiscal do município, uma vez que áreas vitais como saúde e infraestrutura estão sendo desidratadas para que a prefeitura consiga quitar dívidas que não foram pagas no tempo devido.
No setor de infraestrutura, o impacto é direto e visível, com o cancelamento de R$ 81.000,00 que deveriam ser aplicados na compra de material de consumo para a secretaria.
Todo esse montante foi redirecionado exclusivamente para saldar débitos passados, sacrificando a capacidade da pasta de realizar manutenções imediatas e preventivas na cidade em prol do ajuste de contas de anos anteriores.
Esse padrão de “escolha de Sofia” orçamentária demonstra que a Secretaria Municipal de Infraestrutura (SEMI) está operando com sua capacidade de investimento comprometida para servir como fonte de recursos para o passivo financeiro da gestão.
A situação é igualmente alarmante no Fundo Municipal de Saúde, onde a gestão municipal realizou cortes em diversos programas para viabilizar o pagamento de dívidas acumuladas.
Foram anulados recursos destinados a serviços de terceiros e materiais de consumo em ações como a Gestão do Fundo de Saúde, a Saúde da Família (PSF) e o Bloco de Alta e Média Complexidade, totalizando R$ 60.000,00 em remanejamentos voltados para despesas de exercícios anteriores.
Retirar dinheiro da atenção básica e de exames de média complexidade para cobrir lacunas administrativas do passado coloca em risco a continuidade e a qualidade do atendimento direto à população, que depende desses insumos para o funcionamento diário dos postos e hospitais.
Além da saúde e infraestrutura, a Secretaria de Administração também sofreu baixas significativas em suas dotações de diárias, materiais de consumo e despesas com locomoção para transferir R$ 35.000,00 para o pagamento de débitos antigos.
Somando-se todos os órgãos afetados pelo Decreto nº 001/2026, o governo municipal movimentou R$ 228.200,00 apenas nesta primeira semana do ano para tentar equilibrar o balanço financeiro.



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Essa prática recorrente levanta sérios questionamentos sobre a eficiência do gasto público em Ibirapitanga, sugerindo que o orçamento de 2026 já nasce “refém” de falhas de planejamento cometidas em anos anteriores, o que limita severamente o potencial de novas melhorias para a comunidade.
Fonte: Jornalista Mateus Oliver

