
Na manhã desta terça-feira (14), o ex-deputado federal Uldurico Júnior foi alvo da Operação Colligatio, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que sacudiu o cenário político do Extremo Sul da Bahia. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao político.
As diligências se concentraram em Teixeira de Freitas e também em Salvador. São três mandados no total, autorizados a partir de informações reunidas pelo Ministério Público da Bahia (MPF) e pela Corregedoria do Tribunal de Justiça do estado.
O foco é apurar se houve aproximação entre o então candidato à prefeitura Teixeira de Freitas, identificado nas apurações como o próprio Uldurico, e lideranças de facções criminosas dentro de presídios. A suspeita é de que essa ponte teria como objetivo garantir vantagem nas urnas em 2024.
O que foi apreendido
Nos endereços alvos da operação, a Polícia Federal busca materiais que possam ajudar a fechar o quebra-cabeça: celulares, computadores, dispositivos de armazenamento e anotações, físicas ou digitais. Outros itens considerados relevantes também podem ser recolhidos no decorrer das buscas.
Se confirmadas, as práticas investigadas podem se enquadrar em crimes como corrupção eleitoral, organização criminosa e corrupção, entre outros que ainda podem surgir com o avanço das apurações.
Defesa
A reportagem ainda não conseguiu contato com a assessoria de imprensa do ex-deputado.
Intermediação dentro do presídio
O enredo ganha contornos mais delicados quando cruza com o sistema carcerário, uma outra investigação. Uldurico é citado como padrinho político de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, que teria facilitado a fuga de 16 detentos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Foi ele quem a indicou para o cargo, ocupado por ela a partir de março do ano passado.
Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), não era apenas uma relação institucional. Joneuma mantinha um relacionamento com um líder de facção e, dentro da unidade, teria passado a intermediar encontros entre o criminoso e o ex-parlamentar.
Essas conversas, ainda conforme o documento, aconteciam longe dos registros oficiais, sem câmeras, sem rastros, com cuidados para evitar qualquer tipo de gravação. Um procedimento que, na prática, driblava protocolos básicos de segurança do presídio.
Votos negociados
A engrenagem descrita pelos investigadores do MP inclui também a promessa de votos. Joneuma, ainda de acordo com a acusação, oferecia ao político o que chamou de “eleitores cativos”.
O mecanismo seria simples e direto: cada pessoa aliciada receberia R$ 100 em troca do compromisso de voto. O dinheiro circularia entre integrantes da facção, familiares e pessoas próximas ao grupo. Em troca, o apoio político ajudaria a manter a ex-diretora no comando da unidade prisional, alinhada aos interesses da organização criminosa.
Apesar da suposta estrutura montada, o resultado nas urnas não veio. Uldurico terminou a eleição em segundo lugar, com 18.130 votos, atrás de Marcelo Belitardo.

