
Terceira fase da operação cumpriu medidas cautelares contra investigados por suposta participação na morte de Valdiney Fernandes Santos
A Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial de Ibirapitanga, deflagrou a terceira fase da Operação Sete Voltas, que investiga a morte do empresário Valdiney Fernandes Santos, de 51 anos, encontrado morto no dia 5 de junho, dentro de seu próprio veículo, em uma estrada vicinal da zona rural de Ibirapitanga, na região conhecida como “Sete Voltas”.
Valdiney havia desaparecido no dia 2 de junho de 2026, após sair de sua residência para mostrar uma propriedade rural localizada na região da Jaguarana, em Itagi, a uma pessoa que teria interesse na compra do imóvel.
O veículo da vítima foi localizado trancado e, em seu interior, havia um corpo do sexo masculino em avançado estado de decomposição. Apesar das condições, familiares e amigos que estiveram no local fizeram o reconhecimento preliminar como sendo de Valdiney.
Segundo a Polícia Civil, equipes do Setor de Investigação da Delegacia Territorial de Ibirapitanga, acompanhadas por profissionais do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Ilhéus, identificaram lesões provocadas por instrumento perfurocortante no corpo. A ocorrência passou, portanto, a ser investigada como morte violenta.
Investigação apontou deslocamentos no dia do crime
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, análises realizadas durante a investigação indicaram que Valdiney percorreu aproximadamente 41,4 quilômetros entre Ipiaú e o local onde o corpo foi encontrado, utilizando a BA-650 e, posteriormente, estradas vicinais que atravessam áreas dos municípios de Ibirataia, Barra do Rocha, Ubatã e Ibirapitanga.
A partir da análise dos deslocamentos e dos horários, os investigadores estimam que o crime tenha ocorrido entre 14h e 15h do dia 2 de junho.
Ainda segundo a investigação, Valdiney deixou sua residência por volta das 11h30 daquele dia, informando que iria negociar a venda de sua propriedade rural.
Relacionamento conturbado entrou no foco da investigação
As investigações também passaram a analisar o relacionamento extraconjugal mantido pela vítima com Sheila de Araujo Barbosa, com quem teve um filho, atualmente com oito anos.
Segundo a Polícia Civil, o relacionamento era marcado por conflitos e teria existido histórico de ameaças contra Valdiney.
A investigação teve acesso, ainda, a gravações feitas pela própria vítima durante conversas com terceiros. Em um dos registros, segundo a polícia, Valdiney relata ter descoberto que Sheila estaria supostamente planejando sua morte e afirma já ter recorrido à Justiça após, em outra ocasião, ter sido ameaçado de morte.
As declarações integram o conjunto de elementos analisados pelos investigadores e, por si só, não representam comprovação definitiva da autoria do homicídio.
Celulares foram submetidos à análise
Um dos pontos destacados pela Polícia Civil é a análise dos deslocamentos registrados pelo aparelho celular atribuído a Sheila.
Segundo os investigadores, o telefone teria realizado trajeto semelhante ao percorrido pela vítima no dia 2 de junho, passando por Ibirataia entre 12h40 e 12h53. O aparelho teria registrado posteriormente passagem por Gandu por volta das 14h31, horário próximo ao intervalo estimado para a ocorrência do crime, retornando para Ipiaú por volta das 16h09.
No dia seguinte, 3 de junho, ainda de acordo com a Polícia Civil, o aparelho voltou a registrar deslocamentos na região. Entre 17h57 e 18h01, teria passado novamente pelo local relacionado à investigação e, posteriormente, chegado à região do Morro da Repetidora de TV, em Ibirapitanga, onde teria permanecido até pelo menos 19h24.
A polícia afirma que esses dados contradizem versões apresentadas anteriormente em depoimento e passaram a integrar o conjunto de elementos utilizados na investigação.
Suspeito teria acompanhado vítima antes do crime
Após o sepultamento de Valdiney, familiares teriam relatado à polícia episódios envolvendo a tentativa de tomada de posse de veículos e imóveis pertencentes ao empresário.
Durante as diligências, os investigadores identificaram Fábio Santos Cruz, conhecido pelo apelido de “Ralado”, apontado pela polícia como um dos homens que teriam participado dessas ações.
Segundo a investigação, Fábio havia sido visto anteriormente na propriedade rural de Valdiney, acompanhado da vítima e se apresentando como corretor de imóveis interessado em auxiliar na negociação da fazenda.
A análise do aparelho telefônico atribuído a Fábio também teria apontado deslocamento semelhante ao realizado por Valdiney no dia do crime.
Prisões e buscas foram autorizadas pela Justiça
Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Polícia Civil representou pela prisão temporária e pela realização de buscas e apreensões contra os investigados.
As medidas cautelares foram deferidas pelo Poder Judiciário e executadas durante a terceira fase da Operação Sete Voltas.
A ação contou com a participação da Polícia Militar, por meio da 61ª CIPM/Ubaitaba e da 55ª CIPM/Ipiaú, além de equipes do CATI/Ilhéus, da 7ª COORPIN/Ilhéus, e policiais da Delegacia Territorial de Ibirapitanga.
Segundo a Polícia Civil, o cumprimento das medidas cautelares deverá contribuir para o avanço da apuração e para a obtenção de novos elementos capazes de esclarecer, de forma mais concreta, as circunstâncias, a dinâmica e a eventual participação dos investigados na morte de Valdiney Fernandes Santos.
As investigações permanecem em andamento.


