A alta no preço dos combustíveis na Bahia voltou a pesar no bolso dos consumidores e já começa a causar outro problema: a falta de diesel em postos de Salvador. Além disso, um novo aumento no etanol está previsto para a próxima semana, o que pode encarecer ainda mais a gasolina.

Em coletiva nesta quinta-feira (19), o presidente do Sindicombustíveis Bahia, Glauco Mendes, afirmou que os postos não são responsáveis pelos reajustes e destacou que o cenário é consequência da crise internacional.

“Nós estamos na ponta da cadeia. Nós temos um problema grave, que é a guerra, que vem a cada dia aumentando o barril de petróleo”,

explicou.

Segundo ele, o preço do barril disparou nas últimas semanas.

“O barril de petróleo fechou ontem a 110 dólares, hoje abriu a 115. No início da guerra, estava em torno de 62 dólares”,

completou.

O aumento global impacta diretamente o Brasil, que ainda depende da importação de diesel refinado.

“O Brasil ainda não é autossuficiente no diesel refinado. Nós precisamos de cerca de 25%. Com a guerra, o preço sobe e isso causa esse transtorno financeiro para todo mundo”,

disse.

Na Bahia, o valor dos combustíveis segue uma cadeia até chegar ao consumidor: a refinaria vende para distribuidoras, que repassam aos postos. Cada estabelecimento, então, ajusta o preço conforme seus custos.

Outro ponto de preocupação é o novo aumento do etanol previsto para a próxima terça-feira (24). De acordo com o sindicato, a mudança no ICMS deve provocar um reajuste significativo.

“O Governo do Estado vai aumentar o etanol e isso terá reflexo na gasolina, porque 30% dela é composta por etanol. A expectativa é de um aumento de até 22%”,

afirmou Glauco.

Além dos preços mais altos, a situação já afeta o abastecimento. Alguns postos da capital estão sem diesel, embora ainda não haja uma causa única confirmada.

“O capital de giro aumentou demais. A gente não sabe se falta produto porque a distribuidora não forneceu ou se o impacto econômico foi muito grande e o posto ficou sem recurso”,

explicou.

Diante do cenário, o Sindicombustíveis informou que busca diálogo com o Governo do Estado para tentar reduzir os impactos para consumidores e empresários.