De Nova Ibiá à USP: a história do baiano que mudou a realidade da família

Entre os corredores da USP, cursando direito e estagiando em escritórios de advocacia de São Paulo, está um menino vindo de Nova Ibiá, no interior da Bahia. Sem renda, familiares fora do estado ou mesmo uma escola particular, ele traçou seu próprio caminho rumo ao futuro que queria unindo dois fatores – sua força de vontade, e o apoio de uma ONG.

Entre os cinco mil habitantes de Nova Ibiá, o jovem costumava sentar-se na primeira fileira da sala de aula, movido por uma curiosidade incansável e pelo desejo de “alçar voos maiores”.

Seu nome é Eduardo Bittancourt, filho de agricultor e de uma ex-empregada doméstica, ele encontrou no Instituto Ponte, uma organização social que atua como um ‘olheiro do futebol, só que para a educação’, a chance de mudar seu futuro, e conseguiu.

A realidade de Eduardo em Nova Ibiá era, como ele mesmo descreve, “sufocante” e marcada pela “invisibilidade”. Seus pais, Ivonildo e Marineide, trabalhavam arduamente na roça e em diárias para sustentar a família, sem deixar de apoiar os estudos do filho na escola pública local.

“Pagar um curso de inglês ou uma escola particular era uma realidade totalmente fora de alcance”, relembra o estudante. No entanto, tudo começou a mudar no segundo ano do Ensino Médio, quando Eduardo descobriu o Instituto Ponte através de uma veterana.

Ao ver a proposta da ONG, ele chegou a duvidar: “Será que é verdade? Será que pode ser uma ONG tão boa assim? Será que é de graça?”. Após um rigoroso processo seletivo, Eduardo ingressou no projeto, recebendo não apenas suporte pedagógico em português e matemática, mas também orientação psicológica e profissional, que o ajudou a decidir trocar o sonho inicial da Medicina pelo Direito.

A Tarde